28.11.05
O artigo abaixo não tem nada a ver com darwinismo nem com teoria dos jogos - mas mostra como uma visão exclusivamente positivista da questão (a adotada pelo juiz do caso) leva a absurdos inconcebíveis. A matéria original está em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2811200501.htm
OUTROS OLHOS
Doente terminal, ex-bóia-fria não obteve indulto nem relaxamento da prisão; aos 79, é acusada de tráfico de drogas
Sem julgamento, idosa agoniza na cadeia
GILMAR PENTEADO
DA REPORTAGEM LOCAL
A ex-bóia-fria estende as mãos e começa a apontar, um a um, os calos dos dedos. Quer mostrar que nunca teve medo de trabalho pesado. Antes de terminar, porém, esquece a conta e usa as mãos para comprimir a bolsa de colostomia, em uma tentativa de aliviar a dor.
O gesto é um sinal de que a entrevista terá de ser breve. Aos 79 anos, doente terminal de câncer de ovário e de intestino, pesando menos de 40 quilos, Iolanda Figueiral agora se contorce de dor na cama de uma penitenciária em São Paulo, onde aguarda julgamento longe de casa, dos quatro filhos, dos 15 netos e dos 15 bisnetos. Iolanda é uma das mais de 600 presas da Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da cidade. A acusação: tráfico de drogas, equiparado a um crime hediondo (como um homicídio cometido com crueldade), segundo a legislação penal brasileira.
Só que Iolanda é presa provisória -até o julgamento, existe a presunção de inocência- e nega ter cometido o crime. Policiais encontraram 19 pedras de crack -menos de 17 gramas- na sua casa. Ela foi presa com o filho, de 40 anos, há quase quatro meses, na periferia da cidade de Campinas (95 km de São Paulo).
Iolanda afirma que a droga foi jogada na sua casa por um estranho momentos antes da chegada da polícia ao local.Desde então, o advogado da família, Rodolpho Pettená Filho, e a Pastoral Carcerária tentam tirar Iolanda da cadeia.Pediram tudo o que era possível: relaxamento da prisão por falta de prova, liberdade provisória em caráter excepcional, indulto humanitário e prisão albergue domiciliar (o preso cumpre a pena em casa).
Iolanda não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e vive com a aposentadoria de R$ 300. Mesmo assim, a Justiça negou todos os pedidos.
O juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey, da 6ª Vara Criminal de Campinas, citou a lei de crimes hediondos para mantê-la na prisão, apesar de dois pareceres do Ministério Público favoráveis à liberdade provisória em caráter excepcional. A lei proíbe a concessão de liberdade provisória para crimes hediondos ou equiparados, como o tráfico de drogas. O Tribunal de Justiça de São Paulo também negou habeas corpus.Analfabeta, ex-bóia fria e ex-catadora de papelão, Iolanda balança a cabeça negativamente quando questionada se sabe o que significa essa lei.
Também não sabe dizer quem é Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo -cinco anos mais novo do que ela-, também preso com o filho, citado pela Pastoral Carcerária no pedido de liberdade de Iolanda.
"Seria injusto recusar a liberdade a alguém nessas condições [referindo-se a Iolanda] quando se concedeu liberdade por razões humanitárias ao sr. Paulo Maluf e seu filho, cuja situação [de saúde], com todo respeito, não pode ser considerada pior do que a de dona Iolanda", diz trecho do pedido."Que perigo ela representa para a sociedade nessas condições?", afirmou Heidi Cerneka, da coordenação feminina da Pastoral Carcerária.Para o advogado de Iolanda, Pettená Filho, o Código Penal é aplicado de forma diferenciada para ricos e pobres. "Eu lamento ver isso na nossa Justiça. O Código Penal é um só, mas a Justiça tem dado decisões mais brandas para os réus com mais recursos e decisões mais severas para os com menos recursos", afirmou.
"Enquanto os irmãos Cravinhos [que confessaram o assassinato, com golpes de barra de ferro, do casal Marísia e Manfred von Richthofen] ganharam liberdade, uma pobre senhora está morrendo no cárcere por um crime bem mais leve.
"Último pedido"
Eu só quero morrer perto dos meus filhos", afirmou Iolanda, que tenta se manter sentada na cama. Os filhos e netos se revezam para visitá-la todos os domingos. "Toda família está muito indignada com o que está acontecendo. Não há motivos para fazer com que ela sofra assim", afirmou José Pedro de Almeida, 45, um dos filhos da ex-bóia-fria.Mesmo com a dor, Iolanda quer falar. Reclama que não conseguiu ver o outro filho, Carlos Roberto, 40, que sofre de diabetes e hipertensão, preso com ela também sob acusação de tráfico de drogas. "Na audiência [no fórum de Campinas], não me deixaram falar com ele. Nós não somos bichos", afirmou.Iolanda é, então, vencida pela dor e desaba na cama. Uma funcionária traz um analgésico. A movimentação na enfermaria agita as presas, que perguntam se a ex-bóia-fria está bem. "O que ela pode fazer no crime?", questiona uma detenta. O médico é chamado às pressas. A entrevista é interrompida. Iolanda se despede com um gesto de mão e um sorriso. "Que Deus faça eles terem dó de mim", ainda consegue balbuciar.
Diferenças biológicas entre homens e mulheres
A discussão é ingrata e interminável, mas sempre é bom ler um artigo bem escrito como esse... (O original está em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2611200523.htm).
Mulheres intuitivas e homens autistas
DRAUZIO VARELLA
Em média, somos mais altos e mais musculosos do que as mulheres. Característico da maioria dos mamíferos, esse dimorfismo sexual é evidência indiscutível da seleção natural resultante da competição milenar entre os machos pela posse das fêmeas, sempre interessadas em se acasalar com os mais poderosos, capazes de proteger suas proles.
Nos últimos 50 anos, os neurocientistas têm demonstrado que o dimorfismo na espécie humana não se restringe à aparência física, mas está presente na configuração do cérebro.Apesar de variações individuais, o cérebro masculino é cerca de 9% maior do que o feminino, graças às dimensões da substância branca, uma vez que a quantidade de massa cinzenta (associada às funções cognitivas superiores) é semelhante em ambos os sexos. Por outro lado, o corpo caloso, estrutura que estabelece a conexão entre os hemisférios cerebrais direito e esquerdo, é proporcionalmente mais desenvolvido nas mulheres.
Os neurônios das mulheres parecem formar maior número de conexões (sinapses), essenciais do ponto de vista funcional, mas os homens têm em média 10 milhões a 20 milhões de neurônios a mais, e eles se encontram mais densamente empacotados na maior parte dos centros cerebrais.Antes que você, leitora feminista, tenha um ataque de nervos, vamos deixar claro que, até hoje, nenhum estudo científico conseguiu demonstrar superioridade dos quocientes médios de inteligência em qualquer dos sexos.
Tomadas em conjunto, essas informações apenas explicam porque nós demonstramos mais habilidade na realização de tarefas restritas a um único hemisfério cerebral, como interpretar mapas geográficos, encontrar saídas em labirintos, lidar com máquinas, ao passo que elas levam vantagem em atividades que se beneficiam das conexões entre os dois lados do cérebro: interpretação de emoções alheias, sensibilidade social, fluência verbal.
Enquanto as áreas cerebrais controladoras da linguagem masculina estão limitadas ao hemisfério cerebral esquerdo, a mulher utiliza os dois hemisférios ao falar. Graças a essa versatilidade, as meninas começam a falar mais cedo (e, segundo os maledicentes, não param mais) e se saem melhor nas atividades escolares que privilegiam a linguagem.Comparadas com os meninos, elas nascem com uma diferença de maturação cerebral de quatro semanas, diferença mantida de tal forma até a idade escolar que o doutor José Salomão Schwartzman, um dos neuropediatras brasileiros mais conceituados, considera erro grosseiro levar em conta apenas o critério de idade para misturar crianças de ambos os sexos na mesma sala de aula.
Dados experimentais demonstram que essas características sexuais estão ligadas a fatores biológicos. Ratos machos realizam com mais facilidade os testes para encontrar saídas de labirintos, vantagem perdida quando as fêmeas são tratadas com testosterona no período neonatal. Na infância, os machos de diversas espécies de macacos preferem brincar com carrinho, enquanto as fêmeas escolhem as bonecas.Em trabalho publicado em 2001, no qual bebês de um dia de vida foram colocados diante da face de uma pessoa e de um objeto mecânico móvel, ficou demonstrado que as meninas passam mais tempo a olhar para a face; os meninos, para o objeto.
O mecanismo responsável por essas diferenças corre por conta da exposição do sistema nervoso à ação da testosterona produzida pelos testículos durante a vida embrionária e neonatal. Meninas que nascem com hiperplasia adrenal congênita, condição genética em que ocorre aumento de produção de testosterona, exibem comportamento mais semelhante ao dos meninos.
É cada vez mais aceita na psicologia moderna a teoria da Empatia-Sistematização (E-S), segundo a qual os indivíduos podem ser classificados de acordo com sua maior habilidade de sistematizar ou estabelecer empatia. Sistematizar é a capacidade de analisar um sistema com o objetivo de prever seu o comportamento. Empatia é a capacidade de identificar estados mentais alheios e de responder a eles com a emoção mais apropriada.
A teoria E-S propõe que as diferenças psicológicas entre os sexos sejam definidas pelo diferencial entre as dimensões da empatia (E) e da sistematização (S), uma vez que prever comportamentos e emoções alheias não obedece às regras que regem sistemas mecânicos, nos quais a resposta a um mesmo estímulo é sempre previsível. O tipo psicológico ES é característico das mulheres; SE é mais encontrado nos homens.
De acordo com a teoria, o processo de masculinização cerebral, levado ao extremo, conduziria ao autismo, condição associada a comportamentos repetitivos, obsessão por sistemas previsíveis como decorar horários de trens e nomes de ruas, resistência às mudanças do ambiente, dificuldade de compreender metáforas, precocidade para decifrar funcionamento de máquinas e dificuldade de relacionamento afetivo.
O dimorfismo cerebral explica porque as mulheres tantas vezes nos surpreendem ao interpretar atitudes e prever intenções alheias e a habilidade demonstrada por elas na execução de tarefas simultâneas como dar banho nos filhos, falar ao telefone, avisar que a campainha está tocando e pedir para desligar o forno, enquanto dez homens na sala, assistindo ao futebol, perdem a concentração quando entra uma mulher para perguntar quem vai encomendar a pizza.
Darwin na VEJA de 30/11/2005
A revista Veja, em sua edição de 30/11/2005, deu uma ótima reportaem sobre o darwinismo, que segue abaixo. Para ler a matéria ompleta, acesse http://veja.abril.com.br/301105/p_128.html.
O Museu Americano de História Natural, em Nova York, inaugurou há uma semana a mais completa exposição já realizada sobre a vida e a obra do naturalista inglês Charles Darwin, o criador da teoria da evolução das espécies. A mostra reúne manuscritos originais, fósseis que ilustram suas teorias e uma coleção de plantas, insetos, lagartos e tartarugas gigantes sobre as quais ele se debruçou em pesquisas até sua morte, em 1882. Depois viajará por outras cidades americanas e pelo Canadá até aportar na Inglaterra, em 2009, quando se comemorarão os 200 anos de nascimento de Darwin. O significado simbólico da exposição é grande. Entre os importantes pensadores que ajudaram a moldar a civilização nos últimos 150 anos, Darwin é aquele cujas idéias exercem a mais consistente influência na formação do pensamento moderno. A psicanálise de Sigmund Freud foi colocada em xeque pelas correntes atuais da psicologia. As teorias econômicas de Karl Marx naufragaram junto com a experiência comunista. A relatividade de Albert Einstein permanece como uma idéia de ponta na física, mas pouca gente entende o significado de suas equações. Darwin transformou radicalmente a concepção humana da natureza e da vida. Sem suas teorias, a biologia não teria chegado às células-tronco e aos alimentos transgênicos e estaríamos longe de decifrar o genoma humano.
O deslumbramento diante da natureza sempre provocou no homem a indagação crucial: como surgiu isso tudo? Até meados do século XIX, a essa pergunta cabia apenas uma resposta aceita pelo senso comum. Todas as maravilhas da natureza, inclusive o homem, foram criadas por Deus. A explicação prevaleceu até que, em 1859, Darwin publicou A Origem das Espécies, o livro que provocou uma revolução na biologia ao apresentar evidências de que os seres vivos não surgiram prontos, na forma em que os conhecemos, como diz a Bíblia. Eles evoluem através dos tempos, sempre se modificando, e em muitos casos se extinguem. O livro de Darwin afirmava ainda que todas as espécies teriam se originado de uma única forma básica de vida que existiu há bilhões de anos. Para completar, em seu trabalho seguinte, A Origem do Homem, lançado doze anos depois, o naturalista desnudou a idéia do ser humano como uma obra especial da natureza. Nele, explicava que os homens têm um ancestral em comum com os macacos. No comentário do próprio Darwin, na Inglaterra conservadora da era vitoriana defender teorias desse quilate era como "confessar um assassinato".
Na época em que Darwin lançou suas teorias, os naturalistas já desconfiavam que as espécies não permaneciam imutáveis eternamente mas não conseguiam formular uma tese satisfatória para explicar como as variações ocorriam. Darwin solucionou a charada ao elaborar a teoria da evolução pela seleção natural das espécies. Ele raciocinou da seguinte forma. Os animais vivem numa luta contínua pela sobrevivência e pela reprodução. Aqueles com características que os tornem mais bem adaptados ao ambiente em que vivem têm maiores chances de vencer essa luta, fugindo dos predadores, encontrando alimentos com maior facilidade e sobrepujando os rivais na disputa pelo parceiro sexual. Os vencedores transmitem essas características a seus descendentes, que por sua vez as passam para as gerações seguintes. A cada vez que essas características são transmitidas, ocorrem pequenas mudanças. A acumulação dessas alterações, ao longo do tempo, pode produzir uma nova espécie, desde que elas estejam de acordo com as regras da biologia e sejam adequadas ao meio ambiente.
Ao longo dos últimos 150 anos, os avanços da ciência confirmaram a teoria de Darwin e mostraram como ela se manteve atual. A descoberta de novos fósseis reconstituiu a evolução da vida na Terra. O desenvolvimento da genética mostrou como funciona a transmissão de características hereditárias previstas na teoria de Darwin: por meio dos genes que se combinam toda vez que um ser vivo é gerado. Darwin escreveu que o acaso representa um papel determinante no processo de seleção natural, ou seja, as transformações ocorrem nos seres vivos, através das gerações, de forma aleatória. Sabe-se hoje que as variações genéticas são realmente acidentes de percurso que resultam em mutações. Os biólogos concordam que a seleção natural continua imprescindível para explicar a vida no planeta. "A conquista de Darwin é universal, atemporal e deve valer em qualquer lugar do cosmo onde porventura exista vida", diz o zoólogo britânico Richard Dawkins, da Universidade de Oxford.
Ao separar Deus da ciência, Darwin abriu caminho para explicar todos os fenômenos biológicos no contexto da própria natureza. A principal conseqüência disso é que hoje a ciência busca sempre as causas primeiras de todos os fenômenos que analisa. Suas idéias sempre foram combatidas pelos chamados criacionistas, que crêem na criação do mundo descrita no Gênesis. O mais recente round dessa briga ocorre atualmente nas escolas públicas americanas. Muitas delas passaram a apresentar a teoria de Darwin apenas como uma das explicações possíveis para a história da vida na Terra. A principal alternativa oferecida aos alunos é a teoria chamada de "design inteligente". Segundo seus adeptos, alguns elementos da natureza, como as células e o olho humano, são construções tão perfeitas e as diversas partes que as compõem se encaixam de forma tão engenhosa que elas só podem ter sido criadas por um projetista, ou seja, uma inteligência superior. Vários estados americanos já adotaram o ensino do design inteligente, gerando uma interminável briga nos tribunais com grupos de pais de alunos que discordam de que a teoria seja ensinada a seus filhos. Os cientistas consideram o design inteligente uma aberração. "Todo biólogo sabe que a evolução tem conseqüências importantes na definição de políticas ambientais, energéticas e de saúde", disse a VEJA o filósofo Daniel Dennett.
As principais pesquisas de Darwin foram feitas durante uma aventura que daria um filme. Em dezembro de 1831, então com 22 anos, o naturalista, filho de um influente médico inglês, embarcou no navio Beagle para uma viagem em volta do mundo. Ao chegar ao Arquipélago de Galápagos, no Oceano Pacífico, a 1.000 quilômetros da costa do Equador, Darwin começou a delinear sua teoria da evolução. As cinco semanas passadas em meio a tartarugas gigantes, aves e lagartos exóticos chamaram sua atenção para o fato de que muitas das espécies eram semelhantes às que existiam no continente, mas apresentavam pequenas diferenças de uma ilha para outra. A explicação só podia ser esta: as primeiras espécies de animais chegaram às ilhas vindas do continente. Depois, desenvolveram diferentes características, de acordo com as condições do ambiente de cada ilha. Ou seja, a evolução seguiu caminhos variados. A descoberta era fantástica e perturbadora – tão perturbadora que Darwin, que era religioso e chegou a estudar teologia para ser sacerdote, levou 21 anos para ter coragem de publicar suas conclusões. De volta à Inglaterra, ele casou-se com uma prima, Emma, e teve dez filhos. Segundo seus biógrafos, o golpe final em suas crenças religiosas foi a morte da filha mais velha, Annie, aos 10 anos. Darwin morreu dizendo-se agnóstico. Para quem crê na mão de Deus por trás da criação da natureza, ele continua a ser uma pedra no sapato. Para a ciência, permanece como um libertador das amarras do sobrenatural.
"Darwin fascina até seus críticos"
O biólogo Niles Eldredge, curador da exposição Darwin e do departamento de paleontologia do Museu Americano de História Natural, de Nova York, é autor, em conjunto com colegas das universidades de Rochester e Harvard, de uma teoria que desafia certos aspectos das idéias darwinianas. Intitulada Equilíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium, em inglês), sustenta que a evolução se dá em picos rápidos – o que significa alguns milhares de anos –, intercalados por períodos estáticos. Eldredge, que já publicou estudos sobre a relação existente entre a evolução e a extinção das espécies, atualmente busca, por meio de pesquisas científicas, integrar padrões repetitivos da vida com a teoria da evolução. Ele conversou com a repórter Tania Menai em seu escritório, no Museu Americano de História Natural.
O QUE MAIS FASCINOU O SENHOR NA MONTAGEM DESSA EXPOSIÇÃO?
O LIVRO DE DARWIN SOBRE A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES É UMA DAS OBRAS MAIS INFLUENTES DE TODOS OS TEMPOS. POR QUE ESSE ASSUNTO TANTO NOS FASCINA?
QUAL A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE DARWIN NA ERA DO DNA, DO GENOMA E DO BIOTERRORISMO?
COMO O SENHOR VE O DESIGN INTELIGENTE, O CONCEITO DE QUE A VIDA FOI CRIADA POR UM SER SUPERIOR, SENDO INTRODUZIDO NAS AULAS DE CIÊNCIAS EM ALGUMAS ESCOLAS PÚBLICAS AMERICANAS?
A EXPOSIÇÃO PREOCUPOU-SE EM EXPLICAR QUE "TEORIA NÃO É UM FATO". O QUE SIGNIFICA?
DARWIN VISITOU O BRASIL. QUE IMPRESSÃO ELE TEVE DO PAÍS?
O QUE DARWIN PENSARIA DESSA EXPOSIÇÃO?
Por que Darwin ainda tem a chave da vida
170 anos depois da viagem na qual revolucionou a ciência, o naturalista e suas teses continuam atuais
170 anos depois da viagem na qual revolucionou a ciência, o naturalista e suas teses continuam atuais
Thereza Venturoli e Okky de Souza
O Museu Americano de História Natural, em Nova York, inaugurou há uma semana a mais completa exposição já realizada sobre a vida e a obra do naturalista inglês Charles Darwin, o criador da teoria da evolução das espécies. A mostra reúne manuscritos originais, fósseis que ilustram suas teorias e uma coleção de plantas, insetos, lagartos e tartarugas gigantes sobre as quais ele se debruçou em pesquisas até sua morte, em 1882. Depois viajará por outras cidades americanas e pelo Canadá até aportar na Inglaterra, em 2009, quando se comemorarão os 200 anos de nascimento de Darwin. O significado simbólico da exposição é grande. Entre os importantes pensadores que ajudaram a moldar a civilização nos últimos 150 anos, Darwin é aquele cujas idéias exercem a mais consistente influência na formação do pensamento moderno. A psicanálise de Sigmund Freud foi colocada em xeque pelas correntes atuais da psicologia. As teorias econômicas de Karl Marx naufragaram junto com a experiência comunista. A relatividade de Albert Einstein permanece como uma idéia de ponta na física, mas pouca gente entende o significado de suas equações. Darwin transformou radicalmente a concepção humana da natureza e da vida. Sem suas teorias, a biologia não teria chegado às células-tronco e aos alimentos transgênicos e estaríamos longe de decifrar o genoma humano.
O deslumbramento diante da natureza sempre provocou no homem a indagação crucial: como surgiu isso tudo? Até meados do século XIX, a essa pergunta cabia apenas uma resposta aceita pelo senso comum. Todas as maravilhas da natureza, inclusive o homem, foram criadas por Deus. A explicação prevaleceu até que, em 1859, Darwin publicou A Origem das Espécies, o livro que provocou uma revolução na biologia ao apresentar evidências de que os seres vivos não surgiram prontos, na forma em que os conhecemos, como diz a Bíblia. Eles evoluem através dos tempos, sempre se modificando, e em muitos casos se extinguem. O livro de Darwin afirmava ainda que todas as espécies teriam se originado de uma única forma básica de vida que existiu há bilhões de anos. Para completar, em seu trabalho seguinte, A Origem do Homem, lançado doze anos depois, o naturalista desnudou a idéia do ser humano como uma obra especial da natureza. Nele, explicava que os homens têm um ancestral em comum com os macacos. No comentário do próprio Darwin, na Inglaterra conservadora da era vitoriana defender teorias desse quilate era como "confessar um assassinato".
Na época em que Darwin lançou suas teorias, os naturalistas já desconfiavam que as espécies não permaneciam imutáveis eternamente mas não conseguiam formular uma tese satisfatória para explicar como as variações ocorriam. Darwin solucionou a charada ao elaborar a teoria da evolução pela seleção natural das espécies. Ele raciocinou da seguinte forma. Os animais vivem numa luta contínua pela sobrevivência e pela reprodução. Aqueles com características que os tornem mais bem adaptados ao ambiente em que vivem têm maiores chances de vencer essa luta, fugindo dos predadores, encontrando alimentos com maior facilidade e sobrepujando os rivais na disputa pelo parceiro sexual. Os vencedores transmitem essas características a seus descendentes, que por sua vez as passam para as gerações seguintes. A cada vez que essas características são transmitidas, ocorrem pequenas mudanças. A acumulação dessas alterações, ao longo do tempo, pode produzir uma nova espécie, desde que elas estejam de acordo com as regras da biologia e sejam adequadas ao meio ambiente.
Ao longo dos últimos 150 anos, os avanços da ciência confirmaram a teoria de Darwin e mostraram como ela se manteve atual. A descoberta de novos fósseis reconstituiu a evolução da vida na Terra. O desenvolvimento da genética mostrou como funciona a transmissão de características hereditárias previstas na teoria de Darwin: por meio dos genes que se combinam toda vez que um ser vivo é gerado. Darwin escreveu que o acaso representa um papel determinante no processo de seleção natural, ou seja, as transformações ocorrem nos seres vivos, através das gerações, de forma aleatória. Sabe-se hoje que as variações genéticas são realmente acidentes de percurso que resultam em mutações. Os biólogos concordam que a seleção natural continua imprescindível para explicar a vida no planeta. "A conquista de Darwin é universal, atemporal e deve valer em qualquer lugar do cosmo onde porventura exista vida", diz o zoólogo britânico Richard Dawkins, da Universidade de Oxford.
Ao separar Deus da ciência, Darwin abriu caminho para explicar todos os fenômenos biológicos no contexto da própria natureza. A principal conseqüência disso é que hoje a ciência busca sempre as causas primeiras de todos os fenômenos que analisa. Suas idéias sempre foram combatidas pelos chamados criacionistas, que crêem na criação do mundo descrita no Gênesis. O mais recente round dessa briga ocorre atualmente nas escolas públicas americanas. Muitas delas passaram a apresentar a teoria de Darwin apenas como uma das explicações possíveis para a história da vida na Terra. A principal alternativa oferecida aos alunos é a teoria chamada de "design inteligente". Segundo seus adeptos, alguns elementos da natureza, como as células e o olho humano, são construções tão perfeitas e as diversas partes que as compõem se encaixam de forma tão engenhosa que elas só podem ter sido criadas por um projetista, ou seja, uma inteligência superior. Vários estados americanos já adotaram o ensino do design inteligente, gerando uma interminável briga nos tribunais com grupos de pais de alunos que discordam de que a teoria seja ensinada a seus filhos. Os cientistas consideram o design inteligente uma aberração. "Todo biólogo sabe que a evolução tem conseqüências importantes na definição de políticas ambientais, energéticas e de saúde", disse a VEJA o filósofo Daniel Dennett.
As principais pesquisas de Darwin foram feitas durante uma aventura que daria um filme. Em dezembro de 1831, então com 22 anos, o naturalista, filho de um influente médico inglês, embarcou no navio Beagle para uma viagem em volta do mundo. Ao chegar ao Arquipélago de Galápagos, no Oceano Pacífico, a 1.000 quilômetros da costa do Equador, Darwin começou a delinear sua teoria da evolução. As cinco semanas passadas em meio a tartarugas gigantes, aves e lagartos exóticos chamaram sua atenção para o fato de que muitas das espécies eram semelhantes às que existiam no continente, mas apresentavam pequenas diferenças de uma ilha para outra. A explicação só podia ser esta: as primeiras espécies de animais chegaram às ilhas vindas do continente. Depois, desenvolveram diferentes características, de acordo com as condições do ambiente de cada ilha. Ou seja, a evolução seguiu caminhos variados. A descoberta era fantástica e perturbadora – tão perturbadora que Darwin, que era religioso e chegou a estudar teologia para ser sacerdote, levou 21 anos para ter coragem de publicar suas conclusões. De volta à Inglaterra, ele casou-se com uma prima, Emma, e teve dez filhos. Segundo seus biógrafos, o golpe final em suas crenças religiosas foi a morte da filha mais velha, Annie, aos 10 anos. Darwin morreu dizendo-se agnóstico. Para quem crê na mão de Deus por trás da criação da natureza, ele continua a ser uma pedra no sapato. Para a ciência, permanece como um libertador das amarras do sobrenatural.
"Darwin fascina até seus críticos"
O biólogo Niles Eldredge, curador da exposição Darwin e do departamento de paleontologia do Museu Americano de História Natural, de Nova York, é autor, em conjunto com colegas das universidades de Rochester e Harvard, de uma teoria que desafia certos aspectos das idéias darwinianas. Intitulada Equilíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium, em inglês), sustenta que a evolução se dá em picos rápidos – o que significa alguns milhares de anos –, intercalados por períodos estáticos. Eldredge, que já publicou estudos sobre a relação existente entre a evolução e a extinção das espécies, atualmente busca, por meio de pesquisas científicas, integrar padrões repetitivos da vida com a teoria da evolução. Ele conversou com a repórter Tania Menai em seu escritório, no Museu Americano de História Natural.
O QUE MAIS FASCINOU O SENHOR NA MONTAGEM DESSA EXPOSIÇÃO?
A criatividade de Darwin quando ele era jovem. Durante a viagem no Beagle, ele manteve a mente aberta e observou os sinais da natureza. De volta à Inglaterra, começou a juntar as peças e formulou as primeiras idéias sobre a evolução das espécies. Mesmo as pessoas que discordam das idéias de Darwin são fascinadas por esse homem.
O LIVRO DE DARWIN SOBRE A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES É UMA DAS OBRAS MAIS INFLUENTES DE TODOS OS TEMPOS. POR QUE ESSE ASSUNTO TANTO NOS FASCINA?
Todos os seres humanos são fascinados pelo tema porque ele nos faz pensar sobre quem somos e de onde viemos.
QUAL A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE DARWIN NA ERA DO DNA, DO GENOMA E DO BIOTERRORISMO?
Se não soubéssemos das possibilidades da evolução e que ela funciona por mutação e seleção natural, não teríamos idéia de que devemos nos preocupar com o surgimento da gripe aviária. Trata-se de uma nova forma de vírus evoluído, que pode se espalhar de humano para humano.
COMO O SENHOR VE O DESIGN INTELIGENTE, O CONCEITO DE QUE A VIDA FOI CRIADA POR UM SER SUPERIOR, SENDO INTRODUZIDO NAS AULAS DE CIÊNCIAS EM ALGUMAS ESCOLAS PÚBLICAS AMERICANAS?
As escolas devem saber que existem objeções religiosas à teoria da evolução. Mas não devem ensinar o Design Inteligente como se fosse ciência de verdade. Esse conceito não é científico.
A EXPOSIÇÃO PREOCUPOU-SE EM EXPLICAR QUE "TEORIA NÃO É UM FATO". O QUE SIGNIFICA?
Teorias significam achismos numa linguagem coloquial. Por outro lado, são o pilar central das explicações dos fenômenos naturais. Os mecanismos quânticos, as placas tectônicas e a relatividade são teorias. A evolução também.
DARWIN VISITOU O BRASIL. QUE IMPRESSÃO ELE TEVE DO PAÍS?
Darwin ficou mal impressionado com a escravidão. Ele via todos os seres humanos como membros de uma única espécie e considerava a escravidão inaceitável. Por outro lado, Darwin ficou maravilhado com a possibilidade de comparar a diversidade da vida existente nas águas costeiras com a diversidade biológica na floresta que podia ser vista da praia.
O QUE DARWIN PENSARIA DESSA EXPOSIÇÃO?
Ele era um homem modesto. Talvez ficasse encabulado com a atenção recebida por sua vida e obra. Se tivesse oportunidade de ver os dias atuais, Darwin ficaria fascinado com os avanços da ciência, especialmente a genética e a paleontologia. Acredito que ele não se surpreenderia, mas certamente ficaria desapontado ao descobrir que tantos americanos ainda rejeitam sua teoria baseados em argumentos religiosos.
25.11.05
Casamento Homoafetivo
O informativo jurídico Migalhas publicou hoje mais um artigo do Dr. Atahualpa Fernandez, ilustre icediano - desta vez, com a co-autoria de Manuella Fernandez. O artigo original pode ser acessado em http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=18564. Abaixo, segue uma reprodução do mesmo:
A postura omissa do governo e hostil da igreja católica em relação ao matrimônio entre pessoas de um mesmo sexo pode entender-se de muitas maneiras diferentes, especialmente quando intuímos a hipótese de um casamento com matizes religiosos: os usos católicos não amparam tais liberdades. Mas não é assim. O que se deveria tratar de legislar, e logo, tem que ver com as normas civis e suas correspondentes conseqüências legais. Se refere, pois, ao acordo entre duas pessoas capazes e sem impedimento legal algum para unir suas vidas com fins que não incluem a possibilidade biológica de ter filhos mediante a fórmula habitual de fecundação de um óvulo por parte de um espermatozóide.
Mas na medida em que está claro que o matrimônio inclui uma infinidade de relações diferentes à de procriar e que tem a ver, fundamentalmente, com a felicidade e a capacidade de autodeterminação e realização do indivíduo no âmbito de sua peculiar existência, a omissão do governo somente pode ser devida ao fato de que, até hoje, seguem imperando entre as altas instâncias da hierarquia dominante brasileira os esquemas que relacionam de maneira estreita as conseqüências civis do matrimônio às religiosas. Parece mais que evidente que estamos tratando de outra coisa. Se se aprova uma lei para regulamentar essas inegáveis e freqüentes situações de fato e dois homens ou duas mulheres se unem, graças a essa norma, em matrimônio exclusivamente civil, não levam a cabo nenhum ato contrário as normas de qualquer religião e, em especial, as da igreja católica .
De fato, existem crenças religiosas que autorizam matrimônios não simétricos e resultaria ridículo legitimar, em seu nome, por exemplo, a bigamia. Algo parecido sucede com os matrimônios entre pessoas do mesmo sexo. Se há uma lei que os ampara, é absurdo opor-se a essas uniões em nome dos costumes ou de qualquer religião. Depois, a Constituição da República, na ordem dos valores incondicionais, coloca em lugar de destaque o “interesse humano” ( do ser humano, do sujeito-cidadão) como princípio e fim dos valores nela consagrados: o interesse humano pela liberdade, o interesse humano pela não discriminação , o interesse humano pela igualdade, o interesse humano pela segurança, enfim, o interesse humano por uma sociedade justa, igualitária e fraterna.
E o interesse humano, como valor prioritário na ordem dos valores, vem a converter-se, desde a perspectiva da dignidade humana, em um convite a viver igual e livremente nossa existência a partir do reconhecimento do interesse do “outro” como um legítimo outro na realização do seu ser, que tanto vive na aceitação e respeito por si mesmo quanto na aceitação e respeito pelo próximo. Este convite nos leva ao entendimento de que a mera existência de outros seres humanos com “interesses diferentes” impõe a um Estado dito democrático obrigações morais e legais iniludíveis de reconhecer-lhes o direito a plena e livre realização pessoal e familiar .
Porque falta de liberdade – de decidir, de fazer e ainda de rechaçar e resistir – é a que padecem os homossexuais que suportam o estigma estatal e social da dependência de valores arcaicos e paroquianamente espúrios, e que, por essa razão , para dizer em uma frase, ainda vivem com a permissão e sob o olhar discriminante daqueles que se crêem guardiões da “fé da tribo”. Com efeito, a responsabilidade do Estado para com esses cidadãos, que emana de sua mera existência, reside na ingente e inegociável obrigação de assegurar-lhes um conjunto de direitos de todo ponto inalienáveis e que habilitam publicamente a existência dos mesmos como indivíduos plenamente livres.
Afinal, uma vida justa e ética significa estar e se preocupar com o interesse dos outros dentro de um quadro institucional que afirme a todos na condição de cidadão: um governo completo, ética e responsavelmente comprometido com a igualdade social, é o governo virtuoso que combina a procura da felicidade pessoal dos seus cidadãos (cristãos ou não ) com a exigência da solidariedade social , sob a égide de instituições justas .
Assim que é de todo legítimo o reconhecimento de um direito que até agora tem sido negado a um coletivo humano concreto de nossa sociedade. Mas antes de tudo, é um reconhecimento a um direito universal, ao direito à igualdade de todos os seres humanos para que possam fazer uso de sua liberdade e viver da forma que creiam mais conveniente , tendo como único limite a liberdade dos demais. Não se trata, pois, de um simples reconhecimento ao direito de uma minoria senão da consolidação de um sistema de liberdades que se fundamenta no respeito e desenvolvimento dos direitos humanos como norma para a convivência social. Um sistema que, pouco a pouco, se vem reconquistando, ou implantando, nas sociedades modernas desde a recuperação da democracia.
Uma eventual reforma da lei que venha a permitir o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo implicará, neste sentido, o fim de uma discriminação que hoje, afortunadamente, não tem razão de ser em nossa sociedade. Implicará, também, em um passo decisivo para acabar com um prejuízo que é tão antigo como a humanidade e que ao longo da histórico deu lugar a uma constante e perversa repressão. Não faz muito tempo que os homossexuais podiam ir à prisão só pelo fato de mostrar sua diferença. Por fortuna, a sociedade deu um giro copernicano e desde há alguns anos, e com caráter geral, passou a respeitar a união de fato, qualquer que seja a forma em que se ampara.
A lei que permita o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não fará mais do que dar corpo legal a uma circunstância de fato que já está ( embora timidamente em alguns casos) socialmente admitida. O reconhecimento das uniões de fato foi o primeiro passo, ao que seguiram outros não menos importantes até chegar a real viabilidade e necessidade de legalização do casamento homoafetivo. Desde há alguns anos que os companheiros de um mesmo sexo já não têm que esconder-se ou, pelo menos, sabem que não serão legalmente perseguidos como antes. A possibilidade de casar-se não abre, portanto, nenhuma nova porta, salvo – e não é pouco – a do legítimo reconhecimento jurídico da liberdade de contrair vínculo matrimonial, qualquer que seja sua natureza ou forma. Quer dizer, uma igualdade de direitos com o resto da sociedade.
Frente a este direito fundamental, a Igreja e determinados setores conservadores, vêm condenando ou se opõem intransigentemente a que pessoas do mesmo sexo possam vir a casar-se. Aduzem, como se fosse óbvio, que pessoas do mesmo sexo não têm direito a casar-se por ser contrário a natura. Um prejuízo que as mais diversas áreas da ciência, há muito tempo, já desacreditou. Em realidade, a homossexualidade não pode ser tratada como uma patologia senão como uma opção pessoal que deve ser respeitada como todas as demais. Não afeta em absoluto ao resto da população senão somente aos que pretendem exercer este direito, mas que, por outro lado, consagra a liberdade e a igualdade de todos.
É ingente a necessidade de se derrubar, o quanto antes, outro muro da vergonha. A Constituição da República eliminou em seu dia qualquer discriminação por razao de raça, sexo ou condição social. Pouco a pouco se está cumprindo, ainda que algumas instituições (como a Igreja) persistam na desumana manutenção de discriminações deste tipo, e não somente sobre uns coletivos que possam ser mais ou menos minoritários, senão inclusive contra a própria mulher , quer dizer , contra mais da metade de seus próprios fiéis. Mas os critérios religiosos, por muito respeitáveis que sejam, estão limitados aos assuntos da fé. A esta cabe apenas ditar normas para uso de seus fiéis e velar para que sejam cumpridas.
Em definitivo, trata-se simplesmente, no caso do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de reconhecer a esses seres humanos direitos que assegurem (de forma livre, inviolável, autônoma e digna) a capacidade de produzir, reproduzir e desenvolver suas vidas em comunidade, uma vez que, afetados por uma situação de intolerante morte existencial, continuam excluídos da participação social igualitária e da própria discussão democrática no que diz respeito a garantia de um legítimo interesse: o de amar os mais iguais.
Casamento homoafetivo
Atahualpa Fernandez*
Manuella Fernandez**
A postura omissa do governo e hostil da igreja católica em relação ao matrimônio entre pessoas de um mesmo sexo pode entender-se de muitas maneiras diferentes, especialmente quando intuímos a hipótese de um casamento com matizes religiosos: os usos católicos não amparam tais liberdades. Mas não é assim. O que se deveria tratar de legislar, e logo, tem que ver com as normas civis e suas correspondentes conseqüências legais. Se refere, pois, ao acordo entre duas pessoas capazes e sem impedimento legal algum para unir suas vidas com fins que não incluem a possibilidade biológica de ter filhos mediante a fórmula habitual de fecundação de um óvulo por parte de um espermatozóide.
Mas na medida em que está claro que o matrimônio inclui uma infinidade de relações diferentes à de procriar e que tem a ver, fundamentalmente, com a felicidade e a capacidade de autodeterminação e realização do indivíduo no âmbito de sua peculiar existência, a omissão do governo somente pode ser devida ao fato de que, até hoje, seguem imperando entre as altas instâncias da hierarquia dominante brasileira os esquemas que relacionam de maneira estreita as conseqüências civis do matrimônio às religiosas. Parece mais que evidente que estamos tratando de outra coisa. Se se aprova uma lei para regulamentar essas inegáveis e freqüentes situações de fato e dois homens ou duas mulheres se unem, graças a essa norma, em matrimônio exclusivamente civil, não levam a cabo nenhum ato contrário as normas de qualquer religião e, em especial, as da igreja católica .
De fato, existem crenças religiosas que autorizam matrimônios não simétricos e resultaria ridículo legitimar, em seu nome, por exemplo, a bigamia. Algo parecido sucede com os matrimônios entre pessoas do mesmo sexo. Se há uma lei que os ampara, é absurdo opor-se a essas uniões em nome dos costumes ou de qualquer religião. Depois, a Constituição da República, na ordem dos valores incondicionais, coloca em lugar de destaque o “interesse humano” ( do ser humano, do sujeito-cidadão) como princípio e fim dos valores nela consagrados: o interesse humano pela liberdade, o interesse humano pela não discriminação , o interesse humano pela igualdade, o interesse humano pela segurança, enfim, o interesse humano por uma sociedade justa, igualitária e fraterna.
E o interesse humano, como valor prioritário na ordem dos valores, vem a converter-se, desde a perspectiva da dignidade humana, em um convite a viver igual e livremente nossa existência a partir do reconhecimento do interesse do “outro” como um legítimo outro na realização do seu ser, que tanto vive na aceitação e respeito por si mesmo quanto na aceitação e respeito pelo próximo. Este convite nos leva ao entendimento de que a mera existência de outros seres humanos com “interesses diferentes” impõe a um Estado dito democrático obrigações morais e legais iniludíveis de reconhecer-lhes o direito a plena e livre realização pessoal e familiar .
Porque falta de liberdade – de decidir, de fazer e ainda de rechaçar e resistir – é a que padecem os homossexuais que suportam o estigma estatal e social da dependência de valores arcaicos e paroquianamente espúrios, e que, por essa razão , para dizer em uma frase, ainda vivem com a permissão e sob o olhar discriminante daqueles que se crêem guardiões da “fé da tribo”. Com efeito, a responsabilidade do Estado para com esses cidadãos, que emana de sua mera existência, reside na ingente e inegociável obrigação de assegurar-lhes um conjunto de direitos de todo ponto inalienáveis e que habilitam publicamente a existência dos mesmos como indivíduos plenamente livres.
Afinal, uma vida justa e ética significa estar e se preocupar com o interesse dos outros dentro de um quadro institucional que afirme a todos na condição de cidadão: um governo completo, ética e responsavelmente comprometido com a igualdade social, é o governo virtuoso que combina a procura da felicidade pessoal dos seus cidadãos (cristãos ou não ) com a exigência da solidariedade social , sob a égide de instituições justas .
Assim que é de todo legítimo o reconhecimento de um direito que até agora tem sido negado a um coletivo humano concreto de nossa sociedade. Mas antes de tudo, é um reconhecimento a um direito universal, ao direito à igualdade de todos os seres humanos para que possam fazer uso de sua liberdade e viver da forma que creiam mais conveniente , tendo como único limite a liberdade dos demais. Não se trata, pois, de um simples reconhecimento ao direito de uma minoria senão da consolidação de um sistema de liberdades que se fundamenta no respeito e desenvolvimento dos direitos humanos como norma para a convivência social. Um sistema que, pouco a pouco, se vem reconquistando, ou implantando, nas sociedades modernas desde a recuperação da democracia.
Uma eventual reforma da lei que venha a permitir o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo implicará, neste sentido, o fim de uma discriminação que hoje, afortunadamente, não tem razão de ser em nossa sociedade. Implicará, também, em um passo decisivo para acabar com um prejuízo que é tão antigo como a humanidade e que ao longo da histórico deu lugar a uma constante e perversa repressão. Não faz muito tempo que os homossexuais podiam ir à prisão só pelo fato de mostrar sua diferença. Por fortuna, a sociedade deu um giro copernicano e desde há alguns anos, e com caráter geral, passou a respeitar a união de fato, qualquer que seja a forma em que se ampara.
A lei que permita o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo não fará mais do que dar corpo legal a uma circunstância de fato que já está ( embora timidamente em alguns casos) socialmente admitida. O reconhecimento das uniões de fato foi o primeiro passo, ao que seguiram outros não menos importantes até chegar a real viabilidade e necessidade de legalização do casamento homoafetivo. Desde há alguns anos que os companheiros de um mesmo sexo já não têm que esconder-se ou, pelo menos, sabem que não serão legalmente perseguidos como antes. A possibilidade de casar-se não abre, portanto, nenhuma nova porta, salvo – e não é pouco – a do legítimo reconhecimento jurídico da liberdade de contrair vínculo matrimonial, qualquer que seja sua natureza ou forma. Quer dizer, uma igualdade de direitos com o resto da sociedade.
Frente a este direito fundamental, a Igreja e determinados setores conservadores, vêm condenando ou se opõem intransigentemente a que pessoas do mesmo sexo possam vir a casar-se. Aduzem, como se fosse óbvio, que pessoas do mesmo sexo não têm direito a casar-se por ser contrário a natura. Um prejuízo que as mais diversas áreas da ciência, há muito tempo, já desacreditou. Em realidade, a homossexualidade não pode ser tratada como uma patologia senão como uma opção pessoal que deve ser respeitada como todas as demais. Não afeta em absoluto ao resto da população senão somente aos que pretendem exercer este direito, mas que, por outro lado, consagra a liberdade e a igualdade de todos.
É ingente a necessidade de se derrubar, o quanto antes, outro muro da vergonha. A Constituição da República eliminou em seu dia qualquer discriminação por razao de raça, sexo ou condição social. Pouco a pouco se está cumprindo, ainda que algumas instituições (como a Igreja) persistam na desumana manutenção de discriminações deste tipo, e não somente sobre uns coletivos que possam ser mais ou menos minoritários, senão inclusive contra a própria mulher , quer dizer , contra mais da metade de seus próprios fiéis. Mas os critérios religiosos, por muito respeitáveis que sejam, estão limitados aos assuntos da fé. A esta cabe apenas ditar normas para uso de seus fiéis e velar para que sejam cumpridas.
Em definitivo, trata-se simplesmente, no caso do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de reconhecer a esses seres humanos direitos que assegurem (de forma livre, inviolável, autônoma e digna) a capacidade de produzir, reproduzir e desenvolver suas vidas em comunidade, uma vez que, afetados por uma situação de intolerante morte existencial, continuam excluídos da participação social igualitária e da própria discussão democrática no que diz respeito a garantia de um legítimo interesse: o de amar os mais iguais.
*Advogado e Membro do ICED - Instituto Comportamento, Evolução e Direito
**Acadêmica de Direito/Unaerp e Bolsista do Laboratório de Sistemática Humana/UIB
23.11.05
EUA abrem maior exposição sobre Darwin
Deu na Folha de hoje (os asinantes da Folha ou do UOL podem acessar a matéria completa aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2311200501.htm):
GUERRA CULTURAL
Mostra no Museu Americano de História Natural é contra-ataque à onda criacionista que assola o país
EUA abrem maior exposição sobre Darwin
LEILA SUWWANDE NOVA YORK
GUERRA CULTURAL
Mostra no Museu Americano de História Natural é contra-ataque à onda criacionista que assola o país
EUA abrem maior exposição sobre Darwin
LEILA SUWWANDE NOVA YORK
Ao abrir a mostra "Darwin" no último sábado, semana passada em Nova York, o Museu Americano de História Natural lançou uma espécie de contra-ataque às recentes tentativas de estabelecer o criacionismo ou o design inteligente no currículo científico das escolas públicas do país. Numa celebração da vida e obra do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882), a exibição tem uma mensagem clara: evolução é fato científico provado, o resto é apenas controvérsia religiosa.
Num momento de força política do conservadorismo cristão, ganhou impulso o chamado design inteligente, conceito não-validado cientificamente de que os organismos vivos são sistemas tão complexos que só podem ter sido criados por uma inteligência superior -sem menção a Deus.
A comunidade científica considera isso uma nova versão do criacionismo bíblico que, portanto, não pode por lei ter lugar nas escolas públicas. Porém, o Estado do Kansas aprovou o design inteligente no currículo de biologia no início do mês, postura mais avançada entre quatro Estados cujas diretrizes de ensino já fazem ressalvas a Darwin (Ohio, Pensilvânia, Minnesota e Novo México).
"O nosso papel é enaltecer o conhecimento científico neste momento de confusão. Somos um guia de confiança para a população", disse à Folha Ellen Futter, presidente do museu.
Analfabetismo científico
A mostra é patrocinada por museus científicos de Boston, Chicago, Toronto e Londres e acompanhada de seminários, manuais educativos e até o lançamento de uma biblioteca virtual (http://darwinlibrary.amnh.org).
O curador do museu, Niles Eldredge, um dos mais proeminentes darwinistas do mundo, aproveitou para lançar seu livro sobre o fracasso do criacionismo e criticar o "analfabetismo científico" no ensino do país.
"Os EUA são um mosaico social e religioso. Muitas pessoas ainda interpretam a Bíblia literalmente", disse Eldredge, tocando de leve no nervo exposto da questão.
Segundo levantamento do Pew Research Center de Washington, 64% dos americanos querem que evolução e criacionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas. E 42% acreditam estritamente que "os organismos existem em sua presente forma desde o início do tempo" -uma rejeição à teoria das mudanças biológicas geradas pela seleção natural.
Lobby poderoso
Para os organizadores, isso representa uma ameaça ao progresso e à segurança dos Estados Unidos, citando a importância da obra de Darwin na luta contra o bioterrorismo e no controle da gripe aviária (já que o vírus sofre mudanças guiadas pela seleção natural), entre outros.
O design inteligente conta hoje nos EUA com um forte lobby político, capitaneado pelo Discovery Institute e com cada vez mais influência nos conselhos estaduais de educação. O processo movido por 11 pais contra o conselho da Pensilvânia em 2004 contra o ensino desse tópico é hoje o front de uma verdadeira guerra cultural.
Do outro lado, além da comunidade acadêmica, estão pesos-pesados como a American Civil Liberties Union, que buscam impedir a violação da Constituição com o ensino público de religião.
Um dos porta-vozes do design inteligente é Michael Behe, bioquímico da Universidade da Pensilvânia e autor do livro "A Caixa-Preta de Darwin". Testemunha da defesa no processo de Dover, Behe diz que a seleção natural não explica a existência do DNA ou processos complexos como a coagulação sangüínea.
Gênese de uma ciência
A exposição se concentra na gênese da teoria, na riqueza da produção científica de Darwin e no exotismo de suas viagens pelo mundo, que forneceram a centelha para a elaboração de "A Origem das Espécies" (1859).
Seu próprio tormento moral, físico e familiar -na juventude, Darwin era religioso- é apenas mencionado na exibição, que resgatou manuscritos, cadernos e cartas pessoais do cientista.
Quem esperava ver o design inteligente abertamente refutado se decepcionou. Depois de viajar por aquários com tartarugas, sapos e iguanas vivas e até uma reprodução do escritório de Darwin em Londres, a mostra termina com uma linha do tempo mostrando como a controvérsia pipocou nos últimos 200 anos.
Em seguida, um vídeo com testemunhos de cientistas: "Sem a evolução para montar o quebra-cabeça, a ciência seria pouco mais que uma coleção de selos".
O design inteligente, na mostra, é só mais uma crença que Darwin teve de enfrentar em seu próprio tempo. O conceito foi consolidado pelo teólogo William Paley em 1802. "Assim como o funcionamento de um relógio é evidência do design proposital de um relojoeiro, organismos complexos são evidência do design de um criador inteligente", afirmou Paley.
"Darwin sabia o que era o design inteligente. O debate de hoje é uma simples continuação", resumiu Eldredge, sem polemizar.
Pai previu "fracasso" de naturalista
DE NOVA YORK
DE NOVA YORK
Paralela à polêmica, a mostra de Darwin reúne várias curiosidades sobre a vida pessoal do cientista, inclusive a sua célebre discussão com o capitão do navio HMS Beagle -a bordo do qual Darwin fez sua primeira expedição como naturalista- sobre a escravidão no Brasil, que quase o fez desistir da viagem até as ilhas Galápagos.
Quando chegou ao porto do Rio de Janeiro em abril de 1832, Darwin registrou em seu caderno que estava horrorizado com o tratamento cruel dado aos escravos.
Quando o capitão Robert Fitzroy argumentou que os escravos eram "felizes", a discussão azedou. O jovem Darwin, com 23 anos, quase abandonou a viagem. Trechos de cartas de ambos mostram como os dois acabaram cultivando amizade e admiração.
Entre as cartas pessoais, há inclusive aquela na qual o pai de Darwin o critica na infância pelo fracasso nos estudos. "Você será uma desgraça para sua família", previu o pai -que queria que Charles seguisse carreira clerical.
A vida familiar de Darwin também entra na mostra, com um curioso desenho de um de seus filhos feito atrás de uma página do manuscrito original de "A Origem das Espécies" e a caixa de desenho guardada depois da morte de uma das filhas, Anne.
Outra curiosidade em seus cadernos pessoais, o dilema entre casar ou não casar, resolvido com uma lista de prós e contras. Diante da distração que seria para sua carreira, acabou pesando mais a necessidade de ter companhia quando fosse velho. (LS)
22.11.05
Criacionismo vs. Evolucionismo no "Fantástico"
O Fantástico do último domingo exibiu uma matéria de grande intresse para o icediano: um debate sobre a controvérsia criacionismo versus evolucionismo. O programa fez uma enquete-telefônica-relâmpago com os telespectadores, e o resultado foi a tradicional vitória criacionista, com 62% dos votos...
Quem não viu o programa, mas é asinante da globo.com pode acessar a matéria aqui:
Para os demais mortais, segue abaixo o texto disponível no site do fantástico:
A origem do homem em discussão
A imensidão desta paisagem, para alguns, é prova da existência de Deus. Para outros, um exemplo do processo de evolução da Terra.
Em Dover, na Pensilvânia, o aluno de 18 anos diz: "todos nós viemos de Deus. Os jovens não deviam aprender que o homem veio do macaco". A estudante de quatorze anos discorda: "nós não temos que aprender religião na sala de aula. Especialmente nas classes de biologia".
A discussão que começou na escola terminou nos tribunais e chamou a atenção do país inteiro. Onze casais que têm filhos no colégio processaram o Conselho de Educação de Dover porque, agora, os professores de biologia são obrigados a dizer que a evolução natural, de Charles Darwin, não é a única teoria a respeito da origem da vida. Eles têm que mencionar, também, o criacionismo.
Os criacionistas dizem que os animais se tornaram cada vez mais complexos porque algum desenhista muito inteligente fez mudanças em várias fases da evolução. O pastor Warren Eschbach diz: "naturalmente, os alunos vão querer saber quem foi esse desenhista. E o nome de Deus vai surgir".
O caso foi julgado e o juiz vai dar o veredicto no mês que vem. E o presidente George Bush diz que a tese deve ser apresentada nas escolas, ao lado da teoria da evolução natural. O Museu de História Natural de Nova Iorque entrou no debate.
A opinião dos americanos sempre esteve dividida. Metade acredita no criacionismo e a outra metade, na teoria da evolução natural. Em um momento de tanto debate no país, uma exposição no museu defende, com veemência, as teorias de Charles Darwin.
A mostra conta como Darwin chegou às conclusões que revolucionaram a ciência. Desde criança, ele era fascinado pela natureza. Na América do Sul, viu diferentes tipos de plantas e animais. Tartarugas, com este casco, podiam levantar o pescoço. Se alimentavam de plantas mais altas. Mas, nas ilhas de vegetação rasteira, elas tinham cascos em forma de cúpula e comiam de cabeça baixa.
Darwin notou diferenças e muitas semelhanças em vários grupos de animais. Foram cinco anos de expedição e outros 20 para escrever o livro "a origem das espécies", no qual explicou que os animais mais bem adaptados ao meio ambiente sobrevivem e passam suas características às gerações seguintes.
O museu mostra, lado a lado, os esqueletos de vários mamíferos. Embriões de morcego, rato e cavalo. Quase idênticos, a não ser no tamanho. Provas de que os animais têm ancestrais comuns.
Ellen Futter, diretora do museu, diz que a discussão sobre o ensino do criacionismo revela o baixo nível do conhecimento e da educação científica nos Estados Unidos. Na competição mundial de conhecimento sobre matemática e ciência, os alunos da maior potência mundial ficaram em 17º lugar.
Os Estados Unidos, que chegaram primeiro à lua e inventaram o computador, agora estão contestando, nas escolas, a teoria que explica a origem e a evolução da vida na Terra. Esta semana, os criacionistas de Dover perderam nas urnas. Os oito republicanos que defendiam a teoria perderam a eleição para o Conselho de Educação. Oito democratas foram eleitos para o lugar deles.
O reverendo Pat Robertson ameaçou os moradores da cidade depois da eleição:"se houver um desastre na região de vocês, não peçam ajuda a Deus, pois vocês acabaram de rejeitá-lo".
Mas o pastor Eschbach não vê conflito entre religião e ciência. Diz que a criação do mundo em sete dias e do homem a partir de Adão e Eva são simbolismos bíblicos, que não foram escritos para serem levados ao pé-da-letra. "A bíblia não foi escrita para se tornar o livro científico do século 21", diz.
A imensidão desta paisagem, para alguns, é prova da existência de Deus. Para outros, um exemplo do processo de evolução da Terra.
Em Dover, na Pensilvânia, o aluno de 18 anos diz: "todos nós viemos de Deus. Os jovens não deviam aprender que o homem veio do macaco". A estudante de quatorze anos discorda: "nós não temos que aprender religião na sala de aula. Especialmente nas classes de biologia".
A discussão que começou na escola terminou nos tribunais e chamou a atenção do país inteiro. Onze casais que têm filhos no colégio processaram o Conselho de Educação de Dover porque, agora, os professores de biologia são obrigados a dizer que a evolução natural, de Charles Darwin, não é a única teoria a respeito da origem da vida. Eles têm que mencionar, também, o criacionismo.
Os criacionistas dizem que os animais se tornaram cada vez mais complexos porque algum desenhista muito inteligente fez mudanças em várias fases da evolução. O pastor Warren Eschbach diz: "naturalmente, os alunos vão querer saber quem foi esse desenhista. E o nome de Deus vai surgir".
O caso foi julgado e o juiz vai dar o veredicto no mês que vem. E o presidente George Bush diz que a tese deve ser apresentada nas escolas, ao lado da teoria da evolução natural. O Museu de História Natural de Nova Iorque entrou no debate.
A opinião dos americanos sempre esteve dividida. Metade acredita no criacionismo e a outra metade, na teoria da evolução natural. Em um momento de tanto debate no país, uma exposição no museu defende, com veemência, as teorias de Charles Darwin.
A mostra conta como Darwin chegou às conclusões que revolucionaram a ciência. Desde criança, ele era fascinado pela natureza. Na América do Sul, viu diferentes tipos de plantas e animais. Tartarugas, com este casco, podiam levantar o pescoço. Se alimentavam de plantas mais altas. Mas, nas ilhas de vegetação rasteira, elas tinham cascos em forma de cúpula e comiam de cabeça baixa.
Darwin notou diferenças e muitas semelhanças em vários grupos de animais. Foram cinco anos de expedição e outros 20 para escrever o livro "a origem das espécies", no qual explicou que os animais mais bem adaptados ao meio ambiente sobrevivem e passam suas características às gerações seguintes.
O museu mostra, lado a lado, os esqueletos de vários mamíferos. Embriões de morcego, rato e cavalo. Quase idênticos, a não ser no tamanho. Provas de que os animais têm ancestrais comuns.
Ellen Futter, diretora do museu, diz que a discussão sobre o ensino do criacionismo revela o baixo nível do conhecimento e da educação científica nos Estados Unidos. Na competição mundial de conhecimento sobre matemática e ciência, os alunos da maior potência mundial ficaram em 17º lugar.
Os Estados Unidos, que chegaram primeiro à lua e inventaram o computador, agora estão contestando, nas escolas, a teoria que explica a origem e a evolução da vida na Terra. Esta semana, os criacionistas de Dover perderam nas urnas. Os oito republicanos que defendiam a teoria perderam a eleição para o Conselho de Educação. Oito democratas foram eleitos para o lugar deles.
O reverendo Pat Robertson ameaçou os moradores da cidade depois da eleição:"se houver um desastre na região de vocês, não peçam ajuda a Deus, pois vocês acabaram de rejeitá-lo".
Mas o pastor Eschbach não vê conflito entre religião e ciência. Diz que a criação do mundo em sete dias e do homem a partir de Adão e Eva são simbolismos bíblicos, que não foram escritos para serem levados ao pé-da-letra. "A bíblia não foi escrita para se tornar o livro científico do século 21", diz.
A advocacia e os mercados de "tudo ou nada"
O informativo Migalhas publicou ontem (21/11/05) uma matéria sobre a advocacia e os mercados de "tudo ou nada". O artigo, de autoria do icediano Raul Marinho, pode ser acessado em http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=18430. A seguir, a transcrção do artigo:
A advocacia e os mercados de “tudo ou nada”
Raul Marinho*
Muitos dos atuais advogados foram, quando crianças, futuros astronautas, jogadores da seleção Brasileira de futebol ou astros de Hollywood. Entretanto, esses mesmos indivíduos desistiram de seus sonhos de infância porque, ao amadurecerem, perceberam que ser um novo Neil Armstrong, Zico ou James Dean nada mais era que uma doce e pueril ilusão. Anos de desenvolvimento intelectual os conscientizaram que, no mundo real, estas escolhas são impraticáveis: somente uma fração infinitesimal dos aspirantes a jogador profissional de futebol (de time grande, pelo menos) ou a ator de primeira linha no mundo do cinema internacional chega ao objetivo – e, no ultra-restrito círculo dos astronautas, a fração é ainda menor. Decidiram, então, ser advogados, uma profissão onde alcançar o estrelato tem uma chance concreta e realista de acontecer. Será?
Observando a carreira da imensa maioria daqueles que escolheram a advocacia, verifica-se que grande parte destes profissionais está se esfalfando para pagar as contas no fim do mês – o que nem sempre é possível, diga-se de passagem. Onde está a aparente racionalidade que apontava para um futuro de sucesso quase certo? Por que a grande maioria dos advogados nunca chega ao Nirvana sonhado na faculdade? Falta de sorte? Conjuntura sócio-econômica desfavorável? ...Ou talvez seria o fato de que a escolha pelo caminho do sucesso por meio da advocacia era tão racional quanto à do futebol, do cinema ou, em última análise, das viagens interplanetárias? Temo que esta última opção seja a que melhor explica os verdadeiros motivos das frustrações neste mercado, e é disto que iremos tratar neste artigo: da (ir)racionalidade na escolha profissional típica de determinados mercados onde se verificam concentrações exageradas de renda, como a advocacia.
A maior parte da renda auferida na advocacia é obtida em atuações nas demandas judiciais, o popular contencioso. Acontece que, se advogar em processos de grande ou pequena monta requer esforço semelhante, suas respectivas rentabilidades em nada se assemelham – e, por essa razão, a estratégia óbvia é concentrar esforços nas grandes causas. À exceção do idealismo, não haveria maior interesse em advogar em pequenas causas que não a própria subsistência – ou, na melhor das hipóteses, o acúmulo de experiência. Mas, como estratégia profissional racional (economicamente falando, evidentemente), advogar só faz sentido se for nas grandes demandas. Desta forma, o sucesso na advocacia é tão simples quanto ficar à espreita de uma oportunidade de pegar uma grande causa para, em seguida, aparecer na fotografia coroado de louros – de preferência, substituindo as folhas do vegetal por cédulas da moeda estadunidense. Mas, infelizmente, não é isso o que se verifica na prática e, anos depois de formados, muitos estão desiludidos com a profissão.
O problema é que o mesmo motivo que impede que o sonho de jovens e ambiciosos advogados se realize é o mesmo que os desencorajara anos antes a tentar a NASA, Hollywood ou o Maracanã. Trata-se do que um dos maiores expoentes da economia comportamental da atualidade (Robert Frank, de Cornell) definiu como “Mercados de Tudo ou Nada” (“The Winner Takes All Markets”, no original), caracterizados pelo fato de que diferenças sutis de desempenho levam a gigantescas distorções na remuneração. A advocacia é uma profissão em que uma escassa minoria poderá ter sucesso, enquanto a grande massa deverá obter rendimentos inferiores ao obtido em profissões muito menos glamourosas. Felizmente para poucos – e infelizmente para quase todos –, é justamente por esta característica que o mercado da advocacia é tão sedutor, ao contrário de tantas outras profissões que garantem o arroz e feijão na mesa, mas dispensam a gravata e a caneta Mont Blanc no bolso.
Grandes causas existem, é óbvio, mas as verdadeiras chances de um jovem e talentoso advogado as defender tendem a zero. Grandes causas pertencem a grandes clientes que, por sua vez, tenderão a decidir como gerir seu risco de modo a maximizar a sua própria eficiência econômica, não a fomentar a carreira de jovens e promissores advogados. Agindo assim, o grande cliente jamais arriscará grandes somas monetárias desnecessariamente, ou seja: ele sempre vai procurar o melhor advogado possível para atuar nestes casos. Não vai ser por um abatimento nos honorários que ele entregará sua estimada demanda para o segundo melhor advogado na questão, mesmo que a diferença de qualidade do segundo para o primeiro seja ínfima. Na verdade, ele não pode agir assim, a menos que sua estratégia não seja a de maximizar seus ganhos – mas aí aquele provavelmente não seria o demandante de uma causa de grande magnitude. É por esse mesmo motivo que um estúdio de primeira linha paga milhões para um Robert de Niro, uma Julia Roberts ou um Al Pacino: mesmo que um ator off Boroadway possa ser quase tão bom quanto uma estrela consagrada, é muito mais interessante para um produtor de um filme de orçamento multimilionário contratar uma estrela do que um talento promissor. A mesma coisa acontece com um time de futebol de primeira linha ou com a NASA: em mercados de tudo ou nada não existe espaço para segundos colocados.
As pessoas, em geral, tendem a pensar que são melhores que todas as outras e que vão vencer a corrida do tudo ou nada de alguma forma. Esse comportamento tem profundas raízes na nossa história evolutiva: nossos ancestrais já eram pródigos em se considerarem melhores que a maioria, um auto-engano muito útil na corrida da seleção sexual da nossa espécie. É por isso que, hoje, se você fizer uma enquête sobre como seus amigos acham que são em relação, por exemplo, à habilidade ao volante, vai perceber que a maioria se acha acima da média – o que, evidentemente, é impossível em termos estatísticos. Outro comportamento típico do ser humano relacionado a este mecanismo evolutivo de auto-engano é a memória seletiva para as exceções. É claro que, por mais difícil que seja vencer na advocacia, alguém acaba efetivamente vencendo, e quando isso acontece, freqüentemente acaba virando manchete na imprensa. Isso, entretanto, não mostra que as chances de outra pessoa também vencer sejam altas, pelo contrário: se os casos de sucesso são tão raros que merecem destaque na mídia, então deve ser realmente muito improvável que se vença esse jogo. Mas nosso cérebro está estruturado para lembrar das exceções positivas, não da massa de insucessos.
O resultado disso na advocacia é que muita gente – a maioria, na verdade – acabará obtendo um rendimento significativamente inferir ao que seria possível em outras carreiras menos prestigiadas. Em decorrência deste auto-engano, percebe-se um altíssimo índice de frustração profissional na classe. Se fossem realistas sobre suas próprias chances, será que tantos cérebros privilegiados se contentariam com a mediocridade que acaba por atingir a maior parte da militância na advocacia? Bem, se for para se frustrar de uma forma ou de outra, talvez tivesse sido melhor ter seguido em frente com o sonho de ser astronauta...
A advocacia e os mercados de “tudo ou nada”
Raul Marinho*
Muitos dos atuais advogados foram, quando crianças, futuros astronautas, jogadores da seleção Brasileira de futebol ou astros de Hollywood. Entretanto, esses mesmos indivíduos desistiram de seus sonhos de infância porque, ao amadurecerem, perceberam que ser um novo Neil Armstrong, Zico ou James Dean nada mais era que uma doce e pueril ilusão. Anos de desenvolvimento intelectual os conscientizaram que, no mundo real, estas escolhas são impraticáveis: somente uma fração infinitesimal dos aspirantes a jogador profissional de futebol (de time grande, pelo menos) ou a ator de primeira linha no mundo do cinema internacional chega ao objetivo – e, no ultra-restrito círculo dos astronautas, a fração é ainda menor. Decidiram, então, ser advogados, uma profissão onde alcançar o estrelato tem uma chance concreta e realista de acontecer. Será?
Observando a carreira da imensa maioria daqueles que escolheram a advocacia, verifica-se que grande parte destes profissionais está se esfalfando para pagar as contas no fim do mês – o que nem sempre é possível, diga-se de passagem. Onde está a aparente racionalidade que apontava para um futuro de sucesso quase certo? Por que a grande maioria dos advogados nunca chega ao Nirvana sonhado na faculdade? Falta de sorte? Conjuntura sócio-econômica desfavorável? ...Ou talvez seria o fato de que a escolha pelo caminho do sucesso por meio da advocacia era tão racional quanto à do futebol, do cinema ou, em última análise, das viagens interplanetárias? Temo que esta última opção seja a que melhor explica os verdadeiros motivos das frustrações neste mercado, e é disto que iremos tratar neste artigo: da (ir)racionalidade na escolha profissional típica de determinados mercados onde se verificam concentrações exageradas de renda, como a advocacia.
A maior parte da renda auferida na advocacia é obtida em atuações nas demandas judiciais, o popular contencioso. Acontece que, se advogar em processos de grande ou pequena monta requer esforço semelhante, suas respectivas rentabilidades em nada se assemelham – e, por essa razão, a estratégia óbvia é concentrar esforços nas grandes causas. À exceção do idealismo, não haveria maior interesse em advogar em pequenas causas que não a própria subsistência – ou, na melhor das hipóteses, o acúmulo de experiência. Mas, como estratégia profissional racional (economicamente falando, evidentemente), advogar só faz sentido se for nas grandes demandas. Desta forma, o sucesso na advocacia é tão simples quanto ficar à espreita de uma oportunidade de pegar uma grande causa para, em seguida, aparecer na fotografia coroado de louros – de preferência, substituindo as folhas do vegetal por cédulas da moeda estadunidense. Mas, infelizmente, não é isso o que se verifica na prática e, anos depois de formados, muitos estão desiludidos com a profissão.
O problema é que o mesmo motivo que impede que o sonho de jovens e ambiciosos advogados se realize é o mesmo que os desencorajara anos antes a tentar a NASA, Hollywood ou o Maracanã. Trata-se do que um dos maiores expoentes da economia comportamental da atualidade (Robert Frank, de Cornell) definiu como “Mercados de Tudo ou Nada” (“The Winner Takes All Markets”, no original), caracterizados pelo fato de que diferenças sutis de desempenho levam a gigantescas distorções na remuneração. A advocacia é uma profissão em que uma escassa minoria poderá ter sucesso, enquanto a grande massa deverá obter rendimentos inferiores ao obtido em profissões muito menos glamourosas. Felizmente para poucos – e infelizmente para quase todos –, é justamente por esta característica que o mercado da advocacia é tão sedutor, ao contrário de tantas outras profissões que garantem o arroz e feijão na mesa, mas dispensam a gravata e a caneta Mont Blanc no bolso.
Grandes causas existem, é óbvio, mas as verdadeiras chances de um jovem e talentoso advogado as defender tendem a zero. Grandes causas pertencem a grandes clientes que, por sua vez, tenderão a decidir como gerir seu risco de modo a maximizar a sua própria eficiência econômica, não a fomentar a carreira de jovens e promissores advogados. Agindo assim, o grande cliente jamais arriscará grandes somas monetárias desnecessariamente, ou seja: ele sempre vai procurar o melhor advogado possível para atuar nestes casos. Não vai ser por um abatimento nos honorários que ele entregará sua estimada demanda para o segundo melhor advogado na questão, mesmo que a diferença de qualidade do segundo para o primeiro seja ínfima. Na verdade, ele não pode agir assim, a menos que sua estratégia não seja a de maximizar seus ganhos – mas aí aquele provavelmente não seria o demandante de uma causa de grande magnitude. É por esse mesmo motivo que um estúdio de primeira linha paga milhões para um Robert de Niro, uma Julia Roberts ou um Al Pacino: mesmo que um ator off Boroadway possa ser quase tão bom quanto uma estrela consagrada, é muito mais interessante para um produtor de um filme de orçamento multimilionário contratar uma estrela do que um talento promissor. A mesma coisa acontece com um time de futebol de primeira linha ou com a NASA: em mercados de tudo ou nada não existe espaço para segundos colocados.
As pessoas, em geral, tendem a pensar que são melhores que todas as outras e que vão vencer a corrida do tudo ou nada de alguma forma. Esse comportamento tem profundas raízes na nossa história evolutiva: nossos ancestrais já eram pródigos em se considerarem melhores que a maioria, um auto-engano muito útil na corrida da seleção sexual da nossa espécie. É por isso que, hoje, se você fizer uma enquête sobre como seus amigos acham que são em relação, por exemplo, à habilidade ao volante, vai perceber que a maioria se acha acima da média – o que, evidentemente, é impossível em termos estatísticos. Outro comportamento típico do ser humano relacionado a este mecanismo evolutivo de auto-engano é a memória seletiva para as exceções. É claro que, por mais difícil que seja vencer na advocacia, alguém acaba efetivamente vencendo, e quando isso acontece, freqüentemente acaba virando manchete na imprensa. Isso, entretanto, não mostra que as chances de outra pessoa também vencer sejam altas, pelo contrário: se os casos de sucesso são tão raros que merecem destaque na mídia, então deve ser realmente muito improvável que se vença esse jogo. Mas nosso cérebro está estruturado para lembrar das exceções positivas, não da massa de insucessos.
O resultado disso na advocacia é que muita gente – a maioria, na verdade – acabará obtendo um rendimento significativamente inferir ao que seria possível em outras carreiras menos prestigiadas. Em decorrência deste auto-engano, percebe-se um altíssimo índice de frustração profissional na classe. Se fossem realistas sobre suas próprias chances, será que tantos cérebros privilegiados se contentariam com a mediocridade que acaba por atingir a maior parte da militância na advocacia? Bem, se for para se frustrar de uma forma ou de outra, talvez tivesse sido melhor ter seguido em frente com o sonho de ser astronauta...
18.11.05
Capa da Veja de 16/11/05, com Steven "Freaknomics" Levitt
A edição No. 1931 d revista Veja traz uma matéria de capa sobre "O Homem que Explica o Mundo". Trata-se de Steven Levit, "um fenômeno desvendando o lado oculto do cotidiano".
Lendo a metéria, porém, nos deparamos com o nome do jurista estadunidanse Richard Posner, autor original de grande parte dos pontos de vista defendidos por Levitt. Posner - "uma autoridade na aplicação da ciência econômica à análise de problemas legais" - defende uma abordagem ao estudo do Direito muito próxima da defendida pelo ICED. Quem quiser ler a matéria completa, pode acessá-la no sítio do nosso instituto: http://www.iced.org.br/dest_14.htm.
Neste post inicial do Blog do ICED, gostaríamos de iniciar a discussão com a opinião de vocês sobre a matéria da Veja. Participe!
Lendo a metéria, porém, nos deparamos com o nome do jurista estadunidanse Richard Posner, autor original de grande parte dos pontos de vista defendidos por Levitt. Posner - "uma autoridade na aplicação da ciência econômica à análise de problemas legais" - defende uma abordagem ao estudo do Direito muito próxima da defendida pelo ICED. Quem quiser ler a matéria completa, pode acessá-la no sítio do nosso instituto: http://www.iced.org.br/dest_14.htm.
Neste post inicial do Blog do ICED, gostaríamos de iniciar a discussão com a opinião de vocês sobre a matéria da Veja. Participe!

