A advocacia e os mercados de "tudo ou nada"
O informativo Migalhas publicou ontem (21/11/05) uma matéria sobre a advocacia e os mercados de "tudo ou nada". O artigo, de autoria do icediano Raul Marinho, pode ser acessado em http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=18430. A seguir, a transcrção do artigo:
A advocacia e os mercados de “tudo ou nada”
Raul Marinho*
Muitos dos atuais advogados foram, quando crianças, futuros astronautas, jogadores da seleção Brasileira de futebol ou astros de Hollywood. Entretanto, esses mesmos indivíduos desistiram de seus sonhos de infância porque, ao amadurecerem, perceberam que ser um novo Neil Armstrong, Zico ou James Dean nada mais era que uma doce e pueril ilusão. Anos de desenvolvimento intelectual os conscientizaram que, no mundo real, estas escolhas são impraticáveis: somente uma fração infinitesimal dos aspirantes a jogador profissional de futebol (de time grande, pelo menos) ou a ator de primeira linha no mundo do cinema internacional chega ao objetivo – e, no ultra-restrito círculo dos astronautas, a fração é ainda menor. Decidiram, então, ser advogados, uma profissão onde alcançar o estrelato tem uma chance concreta e realista de acontecer. Será?
Observando a carreira da imensa maioria daqueles que escolheram a advocacia, verifica-se que grande parte destes profissionais está se esfalfando para pagar as contas no fim do mês – o que nem sempre é possível, diga-se de passagem. Onde está a aparente racionalidade que apontava para um futuro de sucesso quase certo? Por que a grande maioria dos advogados nunca chega ao Nirvana sonhado na faculdade? Falta de sorte? Conjuntura sócio-econômica desfavorável? ...Ou talvez seria o fato de que a escolha pelo caminho do sucesso por meio da advocacia era tão racional quanto à do futebol, do cinema ou, em última análise, das viagens interplanetárias? Temo que esta última opção seja a que melhor explica os verdadeiros motivos das frustrações neste mercado, e é disto que iremos tratar neste artigo: da (ir)racionalidade na escolha profissional típica de determinados mercados onde se verificam concentrações exageradas de renda, como a advocacia.
A maior parte da renda auferida na advocacia é obtida em atuações nas demandas judiciais, o popular contencioso. Acontece que, se advogar em processos de grande ou pequena monta requer esforço semelhante, suas respectivas rentabilidades em nada se assemelham – e, por essa razão, a estratégia óbvia é concentrar esforços nas grandes causas. À exceção do idealismo, não haveria maior interesse em advogar em pequenas causas que não a própria subsistência – ou, na melhor das hipóteses, o acúmulo de experiência. Mas, como estratégia profissional racional (economicamente falando, evidentemente), advogar só faz sentido se for nas grandes demandas. Desta forma, o sucesso na advocacia é tão simples quanto ficar à espreita de uma oportunidade de pegar uma grande causa para, em seguida, aparecer na fotografia coroado de louros – de preferência, substituindo as folhas do vegetal por cédulas da moeda estadunidense. Mas, infelizmente, não é isso o que se verifica na prática e, anos depois de formados, muitos estão desiludidos com a profissão.
O problema é que o mesmo motivo que impede que o sonho de jovens e ambiciosos advogados se realize é o mesmo que os desencorajara anos antes a tentar a NASA, Hollywood ou o Maracanã. Trata-se do que um dos maiores expoentes da economia comportamental da atualidade (Robert Frank, de Cornell) definiu como “Mercados de Tudo ou Nada” (“The Winner Takes All Markets”, no original), caracterizados pelo fato de que diferenças sutis de desempenho levam a gigantescas distorções na remuneração. A advocacia é uma profissão em que uma escassa minoria poderá ter sucesso, enquanto a grande massa deverá obter rendimentos inferiores ao obtido em profissões muito menos glamourosas. Felizmente para poucos – e infelizmente para quase todos –, é justamente por esta característica que o mercado da advocacia é tão sedutor, ao contrário de tantas outras profissões que garantem o arroz e feijão na mesa, mas dispensam a gravata e a caneta Mont Blanc no bolso.
Grandes causas existem, é óbvio, mas as verdadeiras chances de um jovem e talentoso advogado as defender tendem a zero. Grandes causas pertencem a grandes clientes que, por sua vez, tenderão a decidir como gerir seu risco de modo a maximizar a sua própria eficiência econômica, não a fomentar a carreira de jovens e promissores advogados. Agindo assim, o grande cliente jamais arriscará grandes somas monetárias desnecessariamente, ou seja: ele sempre vai procurar o melhor advogado possível para atuar nestes casos. Não vai ser por um abatimento nos honorários que ele entregará sua estimada demanda para o segundo melhor advogado na questão, mesmo que a diferença de qualidade do segundo para o primeiro seja ínfima. Na verdade, ele não pode agir assim, a menos que sua estratégia não seja a de maximizar seus ganhos – mas aí aquele provavelmente não seria o demandante de uma causa de grande magnitude. É por esse mesmo motivo que um estúdio de primeira linha paga milhões para um Robert de Niro, uma Julia Roberts ou um Al Pacino: mesmo que um ator off Boroadway possa ser quase tão bom quanto uma estrela consagrada, é muito mais interessante para um produtor de um filme de orçamento multimilionário contratar uma estrela do que um talento promissor. A mesma coisa acontece com um time de futebol de primeira linha ou com a NASA: em mercados de tudo ou nada não existe espaço para segundos colocados.
As pessoas, em geral, tendem a pensar que são melhores que todas as outras e que vão vencer a corrida do tudo ou nada de alguma forma. Esse comportamento tem profundas raízes na nossa história evolutiva: nossos ancestrais já eram pródigos em se considerarem melhores que a maioria, um auto-engano muito útil na corrida da seleção sexual da nossa espécie. É por isso que, hoje, se você fizer uma enquête sobre como seus amigos acham que são em relação, por exemplo, à habilidade ao volante, vai perceber que a maioria se acha acima da média – o que, evidentemente, é impossível em termos estatísticos. Outro comportamento típico do ser humano relacionado a este mecanismo evolutivo de auto-engano é a memória seletiva para as exceções. É claro que, por mais difícil que seja vencer na advocacia, alguém acaba efetivamente vencendo, e quando isso acontece, freqüentemente acaba virando manchete na imprensa. Isso, entretanto, não mostra que as chances de outra pessoa também vencer sejam altas, pelo contrário: se os casos de sucesso são tão raros que merecem destaque na mídia, então deve ser realmente muito improvável que se vença esse jogo. Mas nosso cérebro está estruturado para lembrar das exceções positivas, não da massa de insucessos.
O resultado disso na advocacia é que muita gente – a maioria, na verdade – acabará obtendo um rendimento significativamente inferir ao que seria possível em outras carreiras menos prestigiadas. Em decorrência deste auto-engano, percebe-se um altíssimo índice de frustração profissional na classe. Se fossem realistas sobre suas próprias chances, será que tantos cérebros privilegiados se contentariam com a mediocridade que acaba por atingir a maior parte da militância na advocacia? Bem, se for para se frustrar de uma forma ou de outra, talvez tivesse sido melhor ter seguido em frente com o sonho de ser astronauta...
A advocacia e os mercados de “tudo ou nada”
Raul Marinho*
Muitos dos atuais advogados foram, quando crianças, futuros astronautas, jogadores da seleção Brasileira de futebol ou astros de Hollywood. Entretanto, esses mesmos indivíduos desistiram de seus sonhos de infância porque, ao amadurecerem, perceberam que ser um novo Neil Armstrong, Zico ou James Dean nada mais era que uma doce e pueril ilusão. Anos de desenvolvimento intelectual os conscientizaram que, no mundo real, estas escolhas são impraticáveis: somente uma fração infinitesimal dos aspirantes a jogador profissional de futebol (de time grande, pelo menos) ou a ator de primeira linha no mundo do cinema internacional chega ao objetivo – e, no ultra-restrito círculo dos astronautas, a fração é ainda menor. Decidiram, então, ser advogados, uma profissão onde alcançar o estrelato tem uma chance concreta e realista de acontecer. Será?
Observando a carreira da imensa maioria daqueles que escolheram a advocacia, verifica-se que grande parte destes profissionais está se esfalfando para pagar as contas no fim do mês – o que nem sempre é possível, diga-se de passagem. Onde está a aparente racionalidade que apontava para um futuro de sucesso quase certo? Por que a grande maioria dos advogados nunca chega ao Nirvana sonhado na faculdade? Falta de sorte? Conjuntura sócio-econômica desfavorável? ...Ou talvez seria o fato de que a escolha pelo caminho do sucesso por meio da advocacia era tão racional quanto à do futebol, do cinema ou, em última análise, das viagens interplanetárias? Temo que esta última opção seja a que melhor explica os verdadeiros motivos das frustrações neste mercado, e é disto que iremos tratar neste artigo: da (ir)racionalidade na escolha profissional típica de determinados mercados onde se verificam concentrações exageradas de renda, como a advocacia.
A maior parte da renda auferida na advocacia é obtida em atuações nas demandas judiciais, o popular contencioso. Acontece que, se advogar em processos de grande ou pequena monta requer esforço semelhante, suas respectivas rentabilidades em nada se assemelham – e, por essa razão, a estratégia óbvia é concentrar esforços nas grandes causas. À exceção do idealismo, não haveria maior interesse em advogar em pequenas causas que não a própria subsistência – ou, na melhor das hipóteses, o acúmulo de experiência. Mas, como estratégia profissional racional (economicamente falando, evidentemente), advogar só faz sentido se for nas grandes demandas. Desta forma, o sucesso na advocacia é tão simples quanto ficar à espreita de uma oportunidade de pegar uma grande causa para, em seguida, aparecer na fotografia coroado de louros – de preferência, substituindo as folhas do vegetal por cédulas da moeda estadunidense. Mas, infelizmente, não é isso o que se verifica na prática e, anos depois de formados, muitos estão desiludidos com a profissão.
O problema é que o mesmo motivo que impede que o sonho de jovens e ambiciosos advogados se realize é o mesmo que os desencorajara anos antes a tentar a NASA, Hollywood ou o Maracanã. Trata-se do que um dos maiores expoentes da economia comportamental da atualidade (Robert Frank, de Cornell) definiu como “Mercados de Tudo ou Nada” (“The Winner Takes All Markets”, no original), caracterizados pelo fato de que diferenças sutis de desempenho levam a gigantescas distorções na remuneração. A advocacia é uma profissão em que uma escassa minoria poderá ter sucesso, enquanto a grande massa deverá obter rendimentos inferiores ao obtido em profissões muito menos glamourosas. Felizmente para poucos – e infelizmente para quase todos –, é justamente por esta característica que o mercado da advocacia é tão sedutor, ao contrário de tantas outras profissões que garantem o arroz e feijão na mesa, mas dispensam a gravata e a caneta Mont Blanc no bolso.
Grandes causas existem, é óbvio, mas as verdadeiras chances de um jovem e talentoso advogado as defender tendem a zero. Grandes causas pertencem a grandes clientes que, por sua vez, tenderão a decidir como gerir seu risco de modo a maximizar a sua própria eficiência econômica, não a fomentar a carreira de jovens e promissores advogados. Agindo assim, o grande cliente jamais arriscará grandes somas monetárias desnecessariamente, ou seja: ele sempre vai procurar o melhor advogado possível para atuar nestes casos. Não vai ser por um abatimento nos honorários que ele entregará sua estimada demanda para o segundo melhor advogado na questão, mesmo que a diferença de qualidade do segundo para o primeiro seja ínfima. Na verdade, ele não pode agir assim, a menos que sua estratégia não seja a de maximizar seus ganhos – mas aí aquele provavelmente não seria o demandante de uma causa de grande magnitude. É por esse mesmo motivo que um estúdio de primeira linha paga milhões para um Robert de Niro, uma Julia Roberts ou um Al Pacino: mesmo que um ator off Boroadway possa ser quase tão bom quanto uma estrela consagrada, é muito mais interessante para um produtor de um filme de orçamento multimilionário contratar uma estrela do que um talento promissor. A mesma coisa acontece com um time de futebol de primeira linha ou com a NASA: em mercados de tudo ou nada não existe espaço para segundos colocados.
As pessoas, em geral, tendem a pensar que são melhores que todas as outras e que vão vencer a corrida do tudo ou nada de alguma forma. Esse comportamento tem profundas raízes na nossa história evolutiva: nossos ancestrais já eram pródigos em se considerarem melhores que a maioria, um auto-engano muito útil na corrida da seleção sexual da nossa espécie. É por isso que, hoje, se você fizer uma enquête sobre como seus amigos acham que são em relação, por exemplo, à habilidade ao volante, vai perceber que a maioria se acha acima da média – o que, evidentemente, é impossível em termos estatísticos. Outro comportamento típico do ser humano relacionado a este mecanismo evolutivo de auto-engano é a memória seletiva para as exceções. É claro que, por mais difícil que seja vencer na advocacia, alguém acaba efetivamente vencendo, e quando isso acontece, freqüentemente acaba virando manchete na imprensa. Isso, entretanto, não mostra que as chances de outra pessoa também vencer sejam altas, pelo contrário: se os casos de sucesso são tão raros que merecem destaque na mídia, então deve ser realmente muito improvável que se vença esse jogo. Mas nosso cérebro está estruturado para lembrar das exceções positivas, não da massa de insucessos.
O resultado disso na advocacia é que muita gente – a maioria, na verdade – acabará obtendo um rendimento significativamente inferir ao que seria possível em outras carreiras menos prestigiadas. Em decorrência deste auto-engano, percebe-se um altíssimo índice de frustração profissional na classe. Se fossem realistas sobre suas próprias chances, será que tantos cérebros privilegiados se contentariam com a mediocridade que acaba por atingir a maior parte da militância na advocacia? Bem, se for para se frustrar de uma forma ou de outra, talvez tivesse sido melhor ter seguido em frente com o sonho de ser astronauta...


9 Comments:
Olá, minha primeira de muitas visitas a esse site.
Como um futuro bacharel em Direito, tenho que concordar com esse ponto de vista.
Infelizmente, desde o primeiro ano de faculdade, onde vários alunos começam a estagiar, o que é uma novidade para todos (inclusive os colgeas que ouvem os relatos dos estagiários), é de conhecimento da maioria dos alunos, que o mundo jurídico não é só feito de flores e tem sim, uma realidade mais sombria do que o idealizado, tanto pelos pais quanto pelo aluno.
Um exemplo disso é a quantidade de estagiários que contratam os grandes escritórios. Se for imaginar esse número apenas para um escritório, é um alto número (como 50 estagiários por exemplo), porém ao se perceber de que faculdade eles vieram, dá para se constatar que uma ÍNFIMA MINORIA vem de faculdades menos prestigiadas, o que já é em si um fator que nos leva a mesma conclusão desse artigo.
No entanto, creio eu, que o meio jurídico é sim, salvo as devidas proporções, um meio em que há uma VASTA e IMENSA variedade de ramos de atuação, como Direito Autoral (meu caso), Projetos Culturais (também meu caso), direito desportivo, enfim, todos os ramos que se possa ou não imaginar, pois é uma área em expansão no momento, área essa que além de poder ser propriamente um advogado, existe também a possibilidade de se prestar um concurso público e trabalhar para a população, e existem diversas carreiras nessa área que não vou citar.
Por isso, apesar de concordar com o artigo que o direito é um "mercado de tudo ou nada", eu faria uma consideração que, estatisticamente é infinitamente mais difícil se tornar astronauta ou ator de holywood (sem mencionar no fato de estarmos no Brasil, onde tais coisas são tão remotas quanto a lua), do que um advogado (ou promotor, juiz, assessor etc.) de relativo sucesso.
Abraço.
Em termos estritos, Sir Dkt, você tem razão: ser astronauta é bem mais difícil que conseguir sucesso na advocacia - mesmo porque, até o momento, não existe nenhum astronauta brasileiro, mas há vários advogados que chegaram ao topo. O que eu quis mostrar com meu artigo é que a mecânica de funcionamento de ambos mercados de trabalho são semelhantes, e que conseguir sucesso na advocacia da maneira tradicional (no contencioso) é praticamente impossível.
Um grande abraço,
Raul
Entendi sim seu ponto de vista e adotei-o, só quis distanciar um pouco o Direito dos astronautas, porém concordo que em ambos é mto dificíl se chegar ao topo.
P.S.: Parabéns pela iniciativa e pelo site. Está "show de bola"
eheheh....
P.S.2: Caro Raul, estou lendo seu livro (autografado ainda por cima, que chique!!) e meu professor de Direito e Economia, Daniel Goldberg (secretário de direito econômico do governo) se interessou muito pelo seu livro e me mandou fazer um trabalho sobre ele. Achei interessante compartilhar isso com vc, heehhehe...
Sir Dkt,
Por favor me mande um e-mail (raul@raulmarinho.com.br) para conversarmos sobre este assunto.
Um grande abraço,
Raul
Caro Raul,
O presente artigo chamou minha atenção, na seguinte passahem do último parágrafo: "Em decorrência deste auto-engano, percebe-se um altíssimo índice de frustração profissional na classe".
Uma teoria social de Habrmas (não obstante a sua brilhante teoria do discurso) diz que as pessoas tendem a ter menos senso de responsabilidade, quando são impelidas por qualquer fator a tomarem decisões forçadas.
Através desta teoria, Habermas tenta justificar que a clonagem humana resultaria uma catástrofe, vez que os "clones" teriam um senso de responsabilidade por seus atos, muito inferior a uma pessoa normal.
Bem, não compartilho da conclusão (pois se assim fosse, gêmeos identicos teriam um senso de responsabilidade menor), mas a tese me agrada.
De fato, quando sou forçado, seja por meus pais, pela sociedade ou pela própria natureza humana, a exercer (p. ex.) uma profissão a qual não tenho o menor "talento", a tendência é que (eu) faça isso com menos responsabilidade, vez que meus atos são compartidos com "aqueles" ou "o que" me impeliu a seguir e continuar em tal ofício.
Dentro deste diapasão, a conclusão a que chega o seu artigo, de que, o auto-engano gera frustrações nesses profissionais, é algo de alarmante, levando em consideração a teoria de Habermas; pois estes profissionais, que normalmente são levados a fazer o curso de direito, o são, as vezes pela família e as vezes pela sociedade -que vê neste curso uma verdadeira nobreza - e quando frustrados em seus universais cognitivos (inatos), que seja o auto-engano, podem ter consequencias desastrosas. Não raro é o que acontece com operadores do direito mal sucedidos: corrupção, desonestidade, propina, entre outros. Ou seja, o senso moral fica bastante prejudicado.
Vale observar que nossa mente está adaptada para resolver problemas que nos sucederam a milhões de anos, e isso, para não recair na falácia naturalista, pode nos trazer graves transtornos nos tempos de hoje, como p.ex o que foi dito.
Abraços,
Diogo Condurú
Caro Sr. Diego "Sir DKT", acho melhor, sermos um pouco formais logo de início, como manda a "etiqueta forense", achei muito pertinente o seu comentário, sobre novas áreas de Direito que podem ser consideradas como nicho de mercado e trazer "salvação", digamos assim a advocacia "recém-formada", meu caso, por exemplo (2 anos). Gostaria de "consignar", lá vou eu de formalista de novo, no que pertine ao Direito Desportivo, que as coisas no Brasil ainda estão muitos embrionárias, de modo que se tenho um recado a dar aos blogueiros que não estejam no eixo Rio-São Paulo dos grandes clubes, a área de atuação é bem ingrata. Sinceramentequanto no tocante ao Direito de Desportivo (exceção - mais uma vez - aos advogados de Rio e São Paulo)a área é bem "astronáutica", captação de clientes, afff...!!! Dificílima... Desculpe desapontá-lo, mas o "Mundo Jurídico dos Esportes", ainda mais quando vc aposta seu futuro nele (lê vários livros, vai a palestras, conhece alguns advogados fenômenos da área, se informa, participa de comunidades na internet com os "bambam's" da área, gasta seu $$$inho com isso) e tolera as piadas dos advogados de áreas já consolidadas, é dificílimo, sobretudo quando não se consegue um retorno financeiro em cima desse estudo "jco-desportivo" (3 anos)... Quanto ao mais, acredito em novas áreas do Direito, acho que elas ainda podem nos salvar. Quem sabe um ambiental, ou demandas relacionadas à Internet??
Sr Raul
Seu texto é interessante e inquietante , mas tenho uma pergunta: O que para você é ser um advogado de sucesso ? Estar na mídia é ter sucesso ? Não atuo na área mas tenho vários amigos advogados que para si e seus familiares são considerados de sucesso , possuem credibilidade , amealharam um bom patrimônio , não vivem com dificuldades financeiras etc , o que para você é um " relativo sucesso " ?
Raul,
seu texto é muito interessante,e me deixo algumas duvidas,estou começando o curso agora e nao sei muito sobre isso,e,apesar de quer atuar na area de promotoria me deixou um pouco receosa,mas me abriu os olhos e vi que nao vaiser facil,mas ainda acredito nao justiça.
Muito boa tarde. Parabéns pelo artigo. Está muito próximo da realidade da profissão forense. Concordo com a maioria das ideias expostas. No entanto, gostaria de desmistificar um pouco o mito de que os melhores são os que têm sucesso ou que o sucesso está associado ao estar entre os melhores. Essa é uma ideia muito simplificada. Já presenciei vários casos de grandes alunos no curso de direito, que se destacavam com brilhantismo na faculdade, e que apenas tiveram um moderado ou mesmo escasso sucesso na profissão. Outros, porém, que pouco se preocupavam com os estudos ou mesmo sequer com a ida às aulas, começaram desde logo a advogar em grandes sociedades e alguns tornaram-se até muito conhecidos na praça.
É que, em primeiro lugar, a advocacia é essencialmente uma arte e não tanto uma ciência. Em segundo, e principalmente, a advocacia é uma profissão de interesses e de manutenção do status quo e não propriamente uma caça de talentos.
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